Para não esquecer. Nunca!
Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008
O após-guerra; os anos 20
Meus caros

Na aula falámos sobre as consequências da Grande Guerra, nomeadamente, a inflação. Disse-vos que a moeda se desvalorizou muito, particularmente na Alemanha. Na Alemanha, país onde tudo faltava (por causa do esforço de guerra, mas também e sobretudo, por causa das indemnizações estabelecidas no Tratado de Versalhes), o dinheiro valia tão pouco, que nem pagava o papel em que vinha timbrado. Como podemos ver pela imagem, as crianças brincavam com maços de notas: era mais barato do que comprar uma boneca ou um berlinde! Até a mim me custa imaginar uma situação destas!
Pintura de Otto Dix
Outra transformação profunda motivada pela guerra tem a ver com o dia-a-dia: as diversões são, agora, um escape à memória da guerra e dos entes amados que morreram. O Jazz, vindo dos EUA, também floresce na Europa. Era tocado e dançado em clubes nocturnos, em ambiente de fumo e ruído. Otto Dix, um pintor alemão da época (mais tarde aprenderemos a chamar-lhe “expressionista”), eternizou estes e outros ambientes nas suas telas.
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Também a mulher, que assumira o esforço da guerra na retaguarda, se mostra mudada. Algumas exigem o direito de voto (são as sufragistas); muitas exigem manter-se nos trabalhos que exerciam durante a guerra (e são acusadas de egoísmo por quererem ocupar os lugares que “deveriam pertencer” aos homens que, agora, estão desempregados); muitas outras cortam o cabelo, sobem a altura das saias, desnudam os ombros, vestem-se de tecidos vaporosos, praticam desporto e adquirem vícios que a sociedade associava aos homens: o tabaco e o álcool. Como é diferente esta mulher! Comparem-se as duas, aqui representadas numa revista da época!
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Mas à medida que os anos 20 avançam, com o dinheiro emprestado pelos EUA, a Europa parece estar a recuperar da crise profunda. Agora é ela que imita os EUA onde o Taylorismo é a nova forma de organização do trabalho e, por causa dessa nova forma, muito se produz e muito se vende e se compra. Os americanos pensam que encontraram o modelo ideal de economia e sociedade, pois tudo parece perfeito. Existe emprego e, com o seu salário, todas as pessoas podem ter acesso a bens de consumo, antes, impensáveis. Vive-se em euforia, apesar de este modelo de produção suscitar algumas críticas.
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Sobre as críticas ao Taylorismo falámos do filme “Tempos Modernos” de Chaplin e do pensamento de John dos Passos. O filme, tentarei que o vejam. De John dos Passos aqui ficam algumas palavras:

          Henry Ford (…) passou a pagar altos salários. Na sua opinião, (…) operários bem pagos poderiam economizar dinheiro suficiente para comprarem uma carripana!

          Na Ford, a produção melhorava todos os dias: menos perdas de tempo, mais vigilantes, mais contramestres; quinze minutos para almoçar, três para ir à casa de banho; por toda a parte a aceleração taylorizada: baixar, ajustar o berbequim, acertar a porca, apertar o parafuso. Baixar-ajustar-o-berbequim-acertar-a-porca-apertar-o-parafuso. Baixarajustaroberbequimacertaraporcaapertaroparafuso, até que a última parcela de vida tenha sido aspirada pela produção e que os operários voltem à noite a casa, trémulos, lívidos e completamente extenuados.
JOHN DOS PASSOS, The Big Money
Proposta:
1 - Observa cada imagem com atenção e diz o que entendeste delas.
2 - Retira, do texto de J. dos Passos, todas as expressões que digam respeito à velocidade da produção industrial.
3 - Qual a opinião do autor sobre o modelo de produção que descreveu? Justifica.
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Fátima Stocker

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publicado por asergio às 16:40
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3 comentários:
De Marta Prazeres a 1 de Março de 2008 às 18:58
Eu não me conseguia imaginar com um saco cheio de maços de notas, para ir comprar qualquer coisa! É estranho...


De asergio a 1 de Março de 2008 às 19:51
É, não é, Marta? Terríveis dias, aqueles! Imaginas a nenorme pobreza e miséria?


De magda pereira a 28 de Novembro de 2008 às 22:03
Stora, os objectivos para o ponto ?


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